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MIS Experience, em plena pandemia

Atualizado: há 4 dias

Visitando o recém inaugurado MIS Experience, em plena pandemia, com tudo desligado e sem poder interagir.


O MIS Experience é um braço do MIS, inspirado no L´Atelier des Lumieres, aquele da exposição imersiva do Van Gogh. O museu fica na antiga marcenaria da TV Culrtura, em uma área industrial em São Paulo. Como o galpão se mistura a outros, a fachada recebeu um grande painel dando destaque. Já o corredor de acesso e a entrada, passam desapercebidos





O museu inteiro é assim: paredes forradas de textos, desenhos e infográficos e os objetos em totens expositores pretos. Assim, quando chega ao museu, o visitante encontra os códices (os caderninhos de da Vinci) em uma vitrine e cópias em gigantografia das páginas. Ao longo da exposição, os layouts do artista foram materializados, ou seja, foram construídos protótipos em madeira e corda, expostos nos cubos pretos. Antes da pandemia existiam uns totens interativos e era possível ver mais informações das peças apresentadas. Mas, em função das regras sanitárias, os totens foram retirados. Uma pena...

Não só os totens, mas os objetos também não podem mais ser manipulados. Veja a cabine de espelhos, antes da pandemia todos entravam nela para ver o efeito dos reflexos e (claro!), fazer selfies. Com as regras de distanciamento, o museu interativo virou um museu tradicional, com o conteúdo em exposição longe do toque.


E já que não tem mais toque, nem interativo, o negócio é focar na comunicação visual. O problema é que é muito texto (Bayer deve estar se revirando no caixão) e você acaba perdendo o interesse depois de alguns painéis. Então, a exposição acabou virando uma espécie de catálogo materializado de todos os desenhos do artista.


Não dá para reclamar do trabalho do designer expográfico que, literalmente materializou os códices. Mas, como fui para lá buscar elementos tecnológicos interativos, fiquei frustrada por não conseguir o que queria.


Mesmo assim, bora passear pelo museu com muita comunicação visual nas paredes (textos e infográficos), os protótipos em bancadas e às vezes em vitrine fechada e os protótipos aéreos, pairando sobre as cabeças do público. E seguimos até a sala sensorial

Depois de passar por esta primeira parte, começa a ouvir os cantos gregorianos, que aumentam aqui, bem neste ponto da última foto. Então você pensa, a sala está no fim do corredor.



Mas, ao invés de chegar na sala sensorial, o que surge atrás da parede é uma segunda sala mista. Mais objetos em exposição, mais textos na parede. E o som dos cantos aumentando, junto com a curiosidade. e então, descobri que a sala está bem menor e, o que antes era projeção mapeada, agora virou um conjunto de telões.

Então, passei rapidamente ali e segui para as próximas salas.


A arte renascentista de Leonardo Da Vinci foi transferida para o espaço após a sala imersiva, assim como em um museu tradicional. Paredes brancas e um cartão com a descrição da obra e algumas das peças estavam acompanhadas de um texto explicativo. Também era possível encontrar marcações com uma numeração para busca no áudio-guia que trazia conteúdo complementar. Mas, na maioria das vezes o áudio apenas reproduzia os textos impressos.

Por fim, a tão esperada sala da Mona Lisa e nenhum interativo. Todos os textos das pesquisas estão aí, impressos nas paredes. As imagens também são painéis impressos. Acho que estou ficando mal acostumada, pois senti falta da tecnologia e possibilidade de escolher a informação que quero ver.

Durante a pandemia foi acrescida uma sala com cenografia instagramável. Em um outro post falaremos sobre isso. Então, por mais que seja um ambiente que pode levar ao universo virtual, estes ambientes não são considerados, pois tratam apenas de entretenimento e não conteúdo.









Resultados

Neste museu o público é o leitor de uma história contada em terceira pessoa e, desconectado da narrativa, pode ser comparado a um observado passivo, que olha os detalhes de um álbum de recortes da vida de Da Vinci, sem muitos percalços em sua jornada. A ação é marcada pela compreensão e um pouco de frustração e apatia diante dos objetos e cenografia, que não desempenham papel significativo e servem de pano de fundo para a história do artista.

No entanto, há que se lembrar que a missão da instituição MIS é a de aproximar as massas da cultura e da arte. Logo, não é surpresa o museu apostar em uma exibição de turnê internacional. Como resultado, os primeiros meses de exibição bateram recordes de público e o projeto da exposição recebeu menções e premiações. Ainda assim, a tecnologia tão difundida pelo marketing da instituição foi suprimida em razão do regramento da COVID 19, causando decepção e apatia em alguns momentos da visita.

Por outro lado, quando se analisa os depoimentos de visitantes (em sites e vídeos no Youtube), percebe-se que a visita presencial é um gatilho para o público geral se aproximar da arte e pensamento renascentista. Assim, se faltou conteúdo no ambiente real, não se pode dizer o mesmo do universo virtual, ainda mais se considerar a relevância e reconhecimento popular do artista Leonardo Da Vinci e a enormidade de conteúdo a seu respeito por toda internet.


Corpografia

Este diário faz parte da minha dissertação de mestrado, onde foi usada a técnica chamada de corpografia. Kevin Lync foi um dos pioneiros a tratar dessa técnica que ele chamava de "ponto de vista do observador". Junto com estes relatos e fotos, foram produzidos vários mapas, que resultaram em uma avaliação da experiência aliada ao uso das tecnologias para amplificação da narrativa museal.


LYNCH, Kevin. A Imagem da Cidade. Lisboa: Edições 70, 1960.


Dados da Pesquisa

Autoria: Ângela Ferrari (ano 2022)

Dissertação: O uso da Media Architecture na Expografia da Sociedade em Rede: experienciando museus interativos

Orientador: prof. Dr. Márcio Vieira de Souza


Universidade Federal de Santa Catarina

Engenharia e Gestão do Conhecimento (área mídia do conhecimento)

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